Delícias turcas 1

19 de Janeiro, 2010

Baklav

Nas ruas de Istambul o olhar perde-se obrigatoriamente nas montras das confeitarias onde geometricamente alinhadas estão as baklava, um dos deliciosos pastéis turcos que são também muito populares na Albânia, Irão, Afeganistão, Arménia,  Grécia e no norte de África. Teriam origem num doce assírio do século VIII , trazidos para a Anatólia pelos romanos.

As baklava turcas são conhecidas pela finura da sua massa que as torna levemente crocantes mesmo depois de  banhadas por um xarope de açúcar aromatizado. E é esta conjugação de leveza e densidade que as torna uma verdadeira experiência gastronómica. Para se conseguir uma massa fina como uma folha é preciso perícia que segundo os entendidos pode levar 7 anos  a conquistar!

Vale a pena ver o video

http://www.youtube.com/watch?v=zpqzXZEXqRM em que Mamalakis, um comentador gastronómico grego acompanha e comenta a produção de baklava na mítica Güllüoğlu. Não se percebe nada mas o homem é um comunicador fantástico! As folhas de massa são tão finas que ele exibe um teatro de sombras por detrás de uma massa quase transparente. Aconselhamos vivamente o visionamento e se tiverem coragem experimentem a receita em casa.

Uma coisa é certa: as baklava  são um autêntico shot de açúcar a fazer lembrar os quindins de coco brasileiros, o pudim abade de Priscos do Minho e as não menos minhotas tortas de Guimarães … A combinação dos sabores e texturas é única.

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Café turco

17 de Janeiro, 2010

O café turco é uma experiência a não perder. Somos grandes apreciadores de café e sofremos quando viajamos porque o nosso café é mesmo bom.

Para se fazer um café à turca (tipo arábica), o café tem de ser moído muito fino e ferver três vezes num recipiente próprio – “cezve”. Depois de servido nas chávenas, deve-se esperar que a borra assente; uma espuma espessa forma-se na superfície e o aroma é intenso. É muitas vezes servido com especiarias sendo a mais usada a semente do cardamomo, que recomendamos.

Foi por acaso que encontrámos perto de uma das portas de saída do Mercado da Especiarias uma loja que vende o café Mehmet Efendi, nome do comerciante que em finais do século XIX torrava os grãos de café e vendia-o já moído finamente para ser feito em casa. Três empregados, vestidos de bata castanha, servem em linha os clientes: um mete o café nos pacotes, outro fecha-o e finalmente o terceiro entrega-o aos clientes que fazem fila junto à parede da loja. Nem precisam de trocar qualquer palavra.

Admitimos que traímos algumas vezes o café turco indo matar saudades do nosso expresso a um Starbucks. Mas em Istambul, há que degustar um café diferente.

Istambul Memórias de uma Cidade 1

15 de Janeiro, 2010

O livro de Orhan Pamuk começa assim:

Desde a minha infância, e durante muitos anos, sempre tive um cantinho da cabeça a ideia de que existia, algures nas ruas de Istambul, um outro Orhan que era igual  a mim, meu gémeo ou mesmo meu duplo. Não consigo recordar-me donde me veio ou me nasceu esta impressão.”

Três linhas abaixo, a fotografia de Pamuk com cinco anos. Uma ampla fotografia da cidade, a preto e branco, ocupa o topo das duas páginas seguintes. Está assim dado o tom: o livro ao longo das 362 páginas misturará a vida do escritor com a vida da cidade, a procura da sua identidade pessoal e a identidade de Istambul.

Deixamos aqui alguns títulos do índice: “Eu”; A descoberta do Bósforo; O meu pai, a minha mãe e a ausência de ambos; A minha avó paterna; A religião; O périplo melancólico de Gautier pelos subúrbios; O fumo dos barcos a vapor no Bósforo; Primeiro amor…

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Pamuk um guia indispensável

13 de Janeiro, 2010


Antes de uma viagem, procuramos conhecer alguma coisa sobre o sítio para onde vamos. Os nossos guias preferidos são os da Lonely Planet porque nos têm dado informações muito oportunas e rigorosas. Mas nesta ida a  Istambul tivemos um guia muito particular: o livro Istambul Memórias de uma Cidade de Orhan Pamuk, prémio Nobel da Literatura de 2006. Assumimos a afirmação: não se pode ir a Istambul sem ter lido o livro que abre com a citaçãoA beleza de uma paisagem reside na sua tristeza” (Ahmet Rasim)

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Istambul, capital europeia da cultura

12 de Janeiro, 2010

Foi  no dia 16 de Janeiro que se iniciou oficialmente o programa de Istambul, capital europeia da cultura (Essen na Alemanha e Pécs na Hungria são também capitais europeias da cultura em 2010). O tema central das celebrações é “A Cidade dos Quatro Elementos” – água, fogo, ar e terra.

Desde Agosto já se realizou um conjunto importante de intervenções em várias áreas artísticas e sociais. Destacamos um projecto sobre o papel da mulher no passado e no presente da Turquia que se concretiza em 36 conferências e painéis bem como publicações e exposições. O projecto teve início em 5 de Setembro e termina a 25 de Dezembro de 2010.

Sugerimos a consulta do programa geral em:

http://www.en.istanbul2010.org/index.htm.

Não faltarão motivos extra para se viajar até Istambul.



Os fontanários

11 de Janeiro, 2010

Os fontanários dão pena, parados, quietos sem águas, sem saída. Rua sim, rua não, encontrámos fontes, brancas de origem, acinzentadas pelo tempo. Não sabemos o que lhes aconteceu, talvez deixassem de ser úteis por via da água canalizada. Mesmo assim, caladas, secas, permanecem.

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Muezzin

10 de Janeiro, 2010


Apesar de avisados, foi com sobressalto que acordámos às cinco da manhã com o chamamento à oração (adhan) do muezzin da mesquita anónima que ficava bem perto do hotel. Tínhamo-nos esquecido de fechar uma janela e a presença do muezzin era mesmo muito, muito próxima.

Cinco vezes por dia os crentes são chamados à oração diária (salat) pelos muezzin. Em grande parte das mesquitas os amplificadores de som nos minaretes ajudam aqueles que têm por função lembrar que é tempo de rezar.

No penúltimo dia da nossa viagem a Istambul, subimos à torre Galata durante um rápido entardecer. Subitamente, quando as luzes da cidade se começavam a acender, desencadeia-se um simultâneo chamamento dos muezzin das centenas de mesquitas dos dois lados da cidade. Não há fotografia nem texto que registe o impacto desse coro estranho e hipnótico para os nossos ouvidos. A nossa companheira de viagem, Teresa Lopes, registou no gravador do telemóvel o chamamento do “nosso” muezzin na última manhã da nossa viagem. Aí fica o som para provarem.

Ouvir o muezzin todas as madrugadas, lembrava-nos que estávamos muito longe de casa. E era bom.

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A escola

10 de Janeiro, 2010


Passávamos todos os dias por uma escola, geralmente silenciosa com os alunos em aulas. Um dia ouvimos surpreendidos o toque de saída: em vez da campainha trim-trimmmmm, algumas notas da peça “Para Elisa” de Beethoven. Som a lembrar um toque de telemóvel, mas apesar de tudo, Beethoven.

Descida até ao mar de Mármara

10 de Janeiro, 2010

O mar de Mármara fica a dez minutos a pé do hotel. Caminhávamos nas ruas de pedra em declive, molhadas, a exigir cautelas. Esse percurso oferecia encontros mais ou menos  inesperados: os restos de um cemitério num gaveto, pescadores com canas ao ombro, mercearias com as frutas à porta, barbearias, cafés … Nas zonas mais íngremes, os miúdos desciam velozmente  sentados em skates a lembrar os carrinhos de rolamentos. Pela porta das ruínas de uma muralha entrevíamos a luz do Mar de Mármara.  Estávamos quase lá!

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O Hotel Tashkonak İstanbul

4 de Janeiro, 2010


O hotel onde se fica é uma parte importante da cidade e do modo como a vivemos: o sítio, as pessoas, o pequeno almoço, os pequenos pormenores e o que se oferece à vista. O Hotel Tashkonak fica na zona velha da cidade, nas traseiras da Mesquita Azul, a poucos minutos do mar de Mármara (ver mapa). É uma antiga casa otomana do século XIX, em madeira, que foi restaurada e transformada em hotel. Na zona, estas casas – konaks – ou estão em ruínas devido aos incêndios ou ao abandono ou foram recuperadas para o turismo.

Da janela do nosso quarto víamos os minaretes da Mesquita Azul e o pequeno jardim do rés-do-chão. Mas era o terraço e a sala do pequeno almoço que em qualquer hora do dia ofereciam o privilégio de deslizar o olhar até ao outro lado da cidade atravessando o mar de Mármara.

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