As romãs de Istambul

21 de Fevereiro, 2010

As romãs de Istambul são diferentes na cor e no sabor. Pode ser impressão nossa, talvez porque se mostrem em todo o lado tendo como vizinhas as laranjas. Não resistimos a fotografá-las até porque é um dos nossos frutos preferidos.

Soubemos que o nome português romã deriva directamente do termo árabe rumman, enquanto que os termos pomegranate, grenade, granatapfel do inglês, francês e alemão remetem para a “descrição” do fruto: maçã com muitas grainhas ou sementes.O nome em turco é curto: nar.  Não conseguimos descobrir a sua origem.

Em muitas culturas a romã está associada à fertilidade, à abundância tendo sido consagrada pelos gregos a Afrodite, a deusa do amor. Segundo os textos bíblicos, Moisés trouxe romãs de Canaan como prova de que a terra prometida era fértil. Segundo o Corão, a romã é um exemplo das coisas boas criadas por Alá e é um dos frutos do Paraíso. Entre os hindus é dedicada a  Bhoomidevi, deusa da Terra. Para os judeus a romã é o símbolo da rectidão porque teria 613 sementes que correspondem aos 613 mandamentos da Tora. Não tivemos paciência para contar os grânulos das romãs que trouxemos porque eram muitos!

Em Istambul, experimentámos e gostámos do sabor único do sumo de romã que é feito na hora, mesmo ali à nossa frente. Não resistimos a trazer um saco de romãs turcas. Sirvam-se!

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O que dizem de Istambul 2

17 de Fevereiro, 2010

Istambul, como toda a cidade imperial, é uma mistura de culturas, um terreno acolhedor para povos diversos, uma Torre de Babel. Aqui a Ásia, o Transcáucaso e os Balcãs encontram-se, a Tartária e a Arábia convergem, o Mar Negro e o Mediterrâneo juntam-se, os Muçulmanos, os Cristãos e os Judeus rezam, o antigo e o moderno confrontam-se.

Ates Orga, Istanbul: Poetry of Place

Teria de ser verdadeiramente maçador o visitante que não fosse capaz de encontrar, a certas horas ou sob certa luz, um lugar na cidade que não segredasse “o que é passado, ou presente ou o que virá”. Pois Istambul é ainda Miklagard (a Grande Cidade) dos Vikings, é a Maçã Vermelha dos Turcos. A marca do conquistador ainda está na sua coluna e a ambição impiedosa de uma imperatriz está gravada num mosaico. Estava certo Yeats: muitos momentos de grandeza e decadência ecoam pela cidade moderna, produzidos pelas vozes dos vivos e dos mortos.

Jason Goodwin, no prefácio de Istanbul: Poetry of Place

Gatos de Istambul

12 de Fevereiro, 2010

Os gatos de Istambul são diferentes dos gatos das outras cidades, pelo menos daquelas  que conhecemos. Estão por todo lado e não fogem porque se sentem seguros nas relações com os humanos. Passeiam pachorrentos nas ruas como se estivessem em sua casa, dormem nos parapeitos das janelas, nas esplanadas, enroscam-se junto aos nossos pés. Estão nos jardins, nos mercados, nos cemitérios, nas soleiras das portas, nos pátios das mesquitas, no cais dos vapurs, estão em todo o lado. Aproximam-se de nós e convidam-nos às carícias. Ao fim da tarde, os comerciantes antes de fecharem as suas lojas deixam ração em pratinhos para os gatos da zona comerem. São gatos felizes porque não se sentem acossados.

Alguém comentava que uma cidade que trata  assim os gatos só pode ser uma boa cidade. Nós também achamos.

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"Vizinhos – Turquia: outro lado da Europa"

8 de Fevereiro, 2010

João Romão, Maral Jefroudi e Vico Ughetto realizaram um documentário que vai passar na RTP2  no 17 de Fevereiro, quarta-feira, às 23:40.

Os temas abordados no filme são questões sensíveis da realidade turca: a igualdade de género, os direitos da população LGBT, e a relação com os Curdos. O documentário foi filmado em Istambul e em Diyarbakır, cidade de maioria curda onde em Setembro de 2009 se realizou o Fórum Social da Mesopotâmia em que se debateu a discriminação da minoria curda no país.

O filme que foi apresentado em Istambul no dia 19 de Dezembro tem prevista a edição em DVD em português, inglês e turco. O trailer do filme pode ser visto em:

http://www.youtube.com/watch?v=UVCitCv3vUI

O filme dá também a oportunidade de se rever o Grande Bazar, Hagia Sofia e outros lugares emblemáticos de Istambul.

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Mariza em Istambul

7 de Fevereiro, 2010

Depois de ter dado um concerto no Royal Festival Hall em Londres no dia 26 de Janeiro, Mariza cantará em Istambul no Sanat Kultur Merkezi no dia 20 de Fevereiro pelas 20.00. Será diferente ouvir Mariza em Istambul e, por isso, aqui fica o endereço para a compra de bilhetes:

http://www.issanat.com.tr/en/event/concert/20100220/mariza/

Simit

3 de Fevereiro, 2010

Simit é um pão em forma de argola com muitas sementes de sésamo no topo e que é vendido nas ruas. Fazem parte da paisagem de Istambul os carrinhos às riscas vermelhas e brancas que vendem simit e é difícil resistir quando o vendedor anuncia “Taze simit!”, “Simit fresquinho”.

Estas roscas de sésamo podem ser barradas com manteiga ou acompanhadas com compotas, mel ou iogurte.  Mas, no breve intervalo dos passeios nas ruas de Istambul, sabe bem comê-lo sozinho, leve e crocante.

Já a seguir, uma proposta …

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Festival Pontes para Istambul no CCB

1 de Fevereiro, 2010

Fotografia de Ara Güler

O Centro Cultural de Belém vai dedicar o mês de Março a Istambul num ciclo de eventos que dão a conhecer a cidade que faz a ponte entre o Ocidente e o Oriente. Literatura, música, fotografia, cinema e dança são objecto de várias iniciativas que inclui também uma comunidade de leitores. O festival inicia-se no dia 1 de Março com uma exposição de fotografia de Ara Güler, Istambul Perdida (Lost Istambul). São deste fotógrafo a maior parte das imagens do livro de Pamuk “Istambul – Memórias de uma Cidade”.

Para conhecer toda a programação clicar aqui AQUI

Torre Galata

26 de Janeiro, 2010

Um dos primeiros sítios a visitar é a Torre Galata pois permite apercebermo-nos da geografia particular de Istambul. É uma torre de pedra com quase 70 metros de altura com paredes de 3.75 m de espessura que foi construída em 1348 sendo na época o edifício mais alto da cidade.

A vista panorâmica que se tem é única: a ponte Galata, o Palácio Topkapi, a mesquita Sultan Ahmed (mesquita azul), Hagia Sophia, o mar da Mármara, a coluna de Constantino, o Bósforo …

Qualquer hora do dia é boa para se  subir ao topo da torre embora a hora do meio dia não seja a mais aconselhável para a fotografia. Aconselhamos vivamente o entardecer porque se pode acompanhar a mudança da cidade do dia para a noite. Ouvimos os chamamentos à oração quando estávamos no topo da torre: o encadeamento dos cânticos de dezenas de muezzins, das dezenas de mesquitas da cidade chegou a provocar arrepios pela estranheza do som, pelo lugar, pela hora do dia, pela cidade que ia escurecendo. Este ambiente fez-nos esquecer a fotografia e as máquinas ficaram muitas vezes em cima do parapeito. Só percebemos isso depois. Temos de voltar.

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O que dizem de Istambul 1

22 de Janeiro, 2010

” Istambul pode não ser a cidade mais magnífica do mundo, mas é de certeza a mais magnificamente situada”. (S. Kinzer)

“Chegar a Constantinopla numa bela manhã, é, acreditem, um momento inesquecível da vida de uma pessoa”. (A. L. Croutier)

[Istambul] Balança entre o passado e o futuro, o cosmopolitismo e o nacionalismo, a memória e a amnésia – uma cidade em dois continentes, entre a Europa e a Ásia”. (A. Grossbongardt)

“A marginal, ao lado do Mar de Mármara, está cheia de árvores, há ruelas para os joggers, e por todos os lados se vêem parques infantis. O trânsito é infernal, mas as bermas das ruas estão tratadas e os passeios limpos. Onde as vias sujas que imaginara? Onde os becos imundos? Onde os cães escanzelados? Afinal, do ponto de vista sanitário, o Oriente não era tão mau quanto supusera.” (Filomena Mónica)

Delícias turcas 2

21 de Janeiro, 2010

Lokum

A palavra Lokum é usada para designar o que podemos traduzir por “doces turcos”. Na sua origem etimológica a palavra quer dizer “satisfação da garganta” com certeza pelo facto de serem muito doces e se desfazerem com facilidade na boca.

Há notícia que são fabricadas em Istambul desde o século XVI quando o mel e o melaço eram usados como adoçantes e vendidos em pequenos blocos produzidos com água e farinha. O açúcar ainda não tinha chegado, então, à Turquia o que só viria a acontecer no fim do século XVIII.

Os lokum são os doces mais fotogénicos pois são brilhantes e de cores diversas. Na base da sua confecção está o amido, água, mel, açúcar e os ingredientes que fazem variar a cor e o sabor: pistácio, canela, café, laranja, cereja, damasco, maçã, cravinho … Alguns incluem frutos secos. Tal como as baklava é na loja Haci Bekir que se encontram os lokum mais saborosos. Vendem-se em caixas de papelão e conservam-se durante cerca de uma semana.

Numa das visitas que fizemos a uma mesquita fomos abordados por duas mulheres que distribuíam ladrilhos de lokum às pessoas que iam saindo talvez para fornecer energia aos crentes depois da oração. Eram lokum simples sem sabor especial. Durante razoáveis minutos, uma textura macia que se ia lentamente desfazendo passeou-se na boca. As gargantas ficaram satisfeitas.

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