O palácio subterrâneo

26 de Maio, 2010

Perto da Mesquita Azul e de Hagia Sophia fica a cisterna subterrânea de Yerebatan a que os turcos chamam de ‘Yerebatan Saray’, ou seja, palácio subterrâneo. Depois de descermos 52 degraus de pedra, entrámos numa verdadeira floresta de colunas com capitéis de estilo jónico, coríntio e algumas de estilo dórico. Este lugar é mais um exemplo das muitas perplexidades de Istambul: trata-se, afinal, de um reservatório de água!

Foi Justiniano I, no século VI, que mandou construir a cisterna capaz de  armazenar 80  milhões de litros de água,  quantidade adequada para  abastecer a cidade no caso de  se ser atacada e cercada pelos inimigos. Durante muito tempo abasteceu de água o Grande  Palácio de Constantinopla e o Palácio Topkapi.

Os passadiços permitem que se passeie por entre as 336 colunas de mármore que nascem da água e sustentam as abóbadas em tijolo. Algumas colunas apresentam motivos decorativos gravados sendo a mais inquietante aquela em que parece escorrer lágrimas.

Contudo, é no fundo da cisterna que está reservada a maior surpresa: duas colunas apoiam-se em bases que são cabeças de Medusas. Numa delas, a cabeça está pousada de lado, noutra a cabeça está voltada para baixo. É um mistério a origem destas figuras e a intenção da sua colocação neste lugar e  nesta posição. São muitos os rumores e mitos em volta delas.

Mas no momento, esquecemos as histórias de amores, ciúmes, despeitos, traições e vinganças associados a Medusa. Chega a perplexidade que aqueles rostos de pedra nos provocam.

O lugar

17 de Maio, 2010

Desde o primeiro post declarámos o nosso investimento afectivo em Istambul que marca necessariamente o modo como vivemos a cidade e como a contamos. Assumimos, desde logo, que os sentimentos e as emoções afectam os nossos textos e as nossas fotografias. Num exercício de objectividade procuramos na Wikipedia a descrição da sua geografia e recolhemos uma imagem de satélite.

Diz a Wikipedia que a cidade de Istambul está dividida em duas partes pelo Bósforo que é o estreito que liga o Mar da Mármara com o Mar Negro. Uma parte da cidade fica na Europa e outra na Ásia tornando Istambul na única cidade do mundo que está situada em dois continentes.

Chama-se Corno Dourado à entrada do Bósforo que divide a cidade e que forma um porto natural que abrigou barcos gregos, romanos, bizantinos e otomanos durante milhares de anos. É um estuário com a forma de uma cimitarra que liga o Bósforo precisamente no ponto em que o estreito entra no mar da Mármara.

Ao vermos a imagem de satélite de Istambul e ao lermos a descrição geográfica da cidade compreendemos que afinal as nossas fotografias e os nossos textos não são tão “suspeitos” como pensávamos.

Aquele chão …

9 de Maio, 2010

Todas as inaugurações das nossas exposições de fotografias são acontecimentos especiais por tudo o que está envolvido na sua concepção e preparação, mas sobretudo pelos pequenos nadas (que são pequenos “tudos”) que acontecem no encontro inaugural.

No sábado, o fórum da FNAC de Sta. Catarina foi-se enchendo de amigos, de curiosos ocasionais, de amantes de Istambul que procuravam reconhecer a cidade visitada, de amigos fotógrafos, de mestrandos turcos em universidades do Porto, de turistas acidentais que passaram e foram ficando.

O samovar trazido pela Associação Luso Turca lembrava a promessa de um chá no fim da sessão e os doces lokum cor-de-rosa brilhavam em cima do piano coberto. Apercebemo-nos, pouco antes de começar, de uma falha: a música de fundo era um jazz de qualidade mas o momento precisava de outro som, achávamos nós. Mas há falhas felizes: o Pedro providenciou um som múltiplo de várias bandas turcas que se reuniram no CD “Twilight Istambul”. Este som mostrou o seu efeito nas pessoas que literalmente esgotaram o stock de exemplares disponíveis.

Na nossa intervenção não poderíamos deixar de convocar o Tiago Salazar, companhia nos cinco dias em Istambul, reforçando ainda mais o sentido do título de um dos seus livros “Viagens sentimentais”. Remetemos o nosso percurso da melancolia ao nosso guia, Pamuk, que continua a dar-nos a conhecer a cidade mesmo depois de a termos deixado. Nas caras de tantos percebemos o reconhecimento que o nome dos lugares provocava e ousamos dizer que as saudades andavam por aqueles olhares que se iam perdendo nas imagens e nas palavras. Na hora, não pudemos deixar de olhar com um pedacinho de inveja para a Alice que há dois meses teve o privilégio de ver Istambul coberta de neve.

Mas foi à volta do chá e dos lokum com sabor a rosas que os encontros e reencontros se reforçaram, que as conversas se multiplicaram ao longo de mais de uma hora. Os amuletos contra o mau-olhado iam sendo guardados nas carteiras e nos bolsos – “Não somos supersticiosos mas mal não faz e bem nunca se sabe”.

Mas nestes encontros inaugurais há sempre um momento especial (que nos perdoem todos os outros momentos): um visitante desconhecido abordou-nos e apontando para uma das fotografias perguntou se “aquele chão” era o chão do primeiro andar da Hagia Sophia.

Dissemos que sim, admirados pelo reconhecimento daquele mármore cheio de veios partidos pelos passos de tantos e pelos tremores de terra. E com um “Bem me parecia!” desapareceu. Não sabemos quem era aquele que fixara como nós um pedaço de chão apesar do esplendor dourado das cúpulas, das colunas majestosas, e das luminárias da mesquita. Percebemos o sortilégio de uma cidade que provoca tantas experiências sentidas e partilhadas e que justifica que no Porto, para além da nossa exposição na FNAC, Teresa Lamas Serra na Axa Seguros fixe Istambul nas suas fotografias.

Huzun-Roteiro da melancolia em Istambul

3 de Maio, 2010

Já confessámos: a nossa experiência em Istambul foi muito marcada pelo livro de Pamuk Istambul – Memórias de uma Cidade. Os relatos sobre as suas vivências na infância e na adolescência desenharam um mapa sentimental da cidade que procurámos explorar.

Foi o huzun, que o Google Tradutor traduz por tristeza, que mais nos sensibilizou levando-nos à descoberta das suas manifestações. E a questão começa logo na forma como o termo é traduzido e que Pamuk esclarece: “…  huzun (muito próximo de melancolia) é um sentimento interiorizado com orgulho e ao mesmo tempo partilhado por toda uma comunidade”. Não é, portanto, um sentimento individual, não é a melancolia experimentada por uma pessoa, é do huzun, da melancolia da cidade que se trata.

Em Istambul, procurámos os locais, as personagens, as situações identificadas por Pamuk em que o sentimento de melancolia se manifesta: os homens que pescam na ponte Galata, os barbeiros e os alfarrabistas que se queixam da crise, as crianças que jogam à bola na rua, as mulheres de lenço islâmico que esperam em silêncio o autocarro, as multidões apressadas para apanhar os vapur, os cemitérios no centro da cidade…E nesta busca, encontrámos outras formas que aos nossos olhos manifestam huzun.

Em Dezembro, na paisagem dominam o preto, o branco e os cinzentos que parecem contaminar as pessoas que usam roupas acinzentadas, indistintas. Os mármores gastos das fontes e das mesquitas reforçam o tom que domina a cidade. Este ambiente tinha para nós um sentido poético e desse ambiente só poderíamos fazer fotografias a preto e branco.

Vamos expor no Fórum da FNAC de Sta. Catarina, no Porto parte do roteiro da melancolia em Istambul. A exposição que inaugura no dia 8, sábado, pelas 17:00 fica por lá até ao dia 28 de Maio.

Poemas 1

30 de Abril, 2010

Abrimos no Facebook um grupo a que chamamos Lá & Cá – Turquia & Portugal, um sítio onde as pessoas interessadas possam registar as suas impressões, experiências, fotografias e também textos, poemas, sugestões de livros sobre a cidade de  Istambul e/ou sobre a Turquia.

A primeira intervenção coube a Jorge Velhote que registou dois poemas de dois poetas turcos – Erdal Alova e Adnan Ozner – o primeiro traduzido por Fiama Hasse Pais Brandão e o segundo pelo próprio Jorge Velhote. Haverá melhor maneira de se inaugurar um espaço?

Aqui ficam os dois poemas que convocam o Bósforo, os céus nublados, as águas, os ventos e tanto mais em Istambul.

TESTAMENTO

Novembro, Novembro, estou certo
Numa noite de Novembro
Deve ter nascido Istambul… Ver mais
A sua parteira um sol ardente
Enrolou-a num cobertor lilás
Embalou-a no berço das ondas
Os ventos que sopram do norte
Segredaram-lhe o nome ao ouvido

Quando morrer
Enterrem-me nos céus de Istambul.

ERDAL ALOVA

Tradução de Fiama Hasse Pais Brandão

SECRETO CRESCIMENTO DO AMOR

Conto na minha rede durante o inverno os dias de cardumes frios.
Aquele verão não voltará!
Aquele amor vivido que não começou… Ver mais
está na minha memória como vela por acender.
Frente ao Bósforo que de boca rasgada
torce as águas
soletramos-lhes o nome do martim-pescador
pássaro daqueles lugares como veleiro branco.

A tónica do inverno é clara, uma voz isolada,
sem nos tocar nem tirar nada de nós sopra
directamente de lugares nunca visitados.
voa com a boca rancorosa do sexo.
Para nosso aviso arroja bem longe
o mapa de altas e baixas marés.
Nem expansão, nem recuo;
nós ao meio do imaginado
o tempo que penetra em dois,
dois pontos sonâmbulos.

Agora, até tu, para este poema
fechado em si mesmo, voz solitária,
no calendário dos cardumes frios de inverno
és só uma folha que cai por si própria.

O martim-pescador agora voará
para uma palavra nova num dicionário desconhecido.

ADNAN OZER

Tradução de Jorge Velhote

Banhos turcos

24 de Abril, 2010

Propuseram-nos uma ida aos banhos turcos a marcar para o penúltimo dia da nossa estadia. Aceitámos logo, associando a experiência a calor, muito calor, humidade, e vapor de água. Antecipámos com prazer a moleza confortável que habitualmente se instala depois de uma estadia na neblina quente.

Sabíamos que um dos “1000 Lugares para Conhecer antes de Morrer” propostos pela jornalista Patrícia Schulz era o haman - termo turco para banho a vapor – Cagaloglu. As fotografias que vimos mostravam um espaço monumental que não reconhecíamos na zona indicada pelo recepcionista do hotel. Foi preciso “tropeçarmos” com o nome escrito no mármore do passeio para identificarmos a entrada deste haman construído em 1741. A entrada encaixada entre lojas passa completamente despercebida …

Mas bastou descer alguns degraus para percebermos que para além daquelas portas o mundo era outro.

O dia marcado para os banhos tinha sido de caminhada e experiências intensas e o corpo pedia descanso e relaxamento. A proposta recaiu nos banhos da praça Cemberlitas junto do Grande Bazar e dos mais famosos monumentos de Istambul.

Aliás, o espaço é considerado um “monumento” construído em 1584 pelo famoso arquitecto Mimar Sinan e que se mantém activo desde a sua construção.

A entrada ainda é mais modesta do que a do haman Cagaloglu, diríamos que até manifesta um razoável mau gosto! Mal entrámos, fomos encaminhados para áreas distintas mas muito semelhantes: a zona dos banhos para homens e para mulheres e os respectivos vestiários. As mulheres, depois de vestida a parte de baixo de um biquíni, enrolaram à volta do peito o “pestemal“, uma toalha grande de algodão com franjas, calçaram umas chinelas e dirigiram-se para a grande sala dos banhos. E aí percebe-se por que razão se pode classificar o espaço de monumento: na grande sala redonda, o chão, a plataforma central, as paredes, as galerias laterais são de mármore de um bege macio. Uma abóbada majestosa cobre a principal sala dos banhos. Dizem que durante o dia jorros de luz provenientes das aberturas da abóbada desenham cones brilhantes por entre os vapores de água.

Depois de colocado o pestemal sobre a plataforma central aquecida cada uma de nós deixou de ser dona do seu corpo: as assistentes com uma “kese” – luva feita de tecido rugoso – ensaboaram-nos, lavaram-nos e literalmente esfoliaram-nos da cabeça aos pés. Depois deram-nos a mão e fomos para uma galeria lateral onde jorraram água em abundância para retirar a espuma. Regressadas à plataforma deitamo-nos e não fora o barulho das conversas do grupo de espanholas e italianas e o momento seria perfeito. Num esforço de abstracção, favorecido pela imagem da cúpula monumental, pensámos nos milhares de mulheres que ao longo de mais de 400 anos, ali, deitadas deixaram que os seus pensamentos e sonhos transpusessem as fronteiras do haman.

AQUI pode-se acompanhar o repórter da BBC Michael Palin numa experiência no haman Cagaloglu.

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O Expresso Oriente

18 de Abril, 2010

A estação de Sirkeci é um lugar de visita obrigatória em Istambul, pela sua arquitectura e pelas memórias que evoca. A traça original do arquitecto August Jachmund mantém-se e os vitrais das suas vastas janelas e portas não perderam o brilho. Mas o que torna a estação um lugar especial no meio de tantos monumentos extraordinários da cidade é a sua associação ao famoso Expresso do Oriente.

Este comboio, propriedade da Companhia Internacional Wagons-Lits, ligava Paris a Istambul numa viagem que durava 80 horas para percorrer 3 094 Km. Na primeira viagem em 4 de Outubro de 1883, deixou a Gare de l’Est, Paris, rumo ao exotismo oriental. A Marcha Turca de Mozart assinalou a primeira partida de tantas viagens que terminaram com o fim da ligação em Maio de 1977.

Quando percorremos o cais onde continuam a chegar os comboios vindos da Europa e da cidade de Erdine, procurámos o ambiente de outros tempos. Mas, apesar do relógio Nacar, do sino que outrora dava o sinal de partida, dos bancos, das colunas, a modernidade das novas composições não permite devaneios. Tivemos de ir ao salão onde se guardavam as bagagens para retomar o tempo de outros tempos: o silêncio do sítio, a penumbra, as cores quentes dos vitrais, o chão brilhante… Um solitário leitor de jornal parece que ficou esquecido no tempo, nem dá conta da nossa presença.

O restaurante, que se chama “Expresso Oriente”, não é famoso pelas refeições que oferece mas não resistimos a sentarmo-nos numa das mesas por algum tempo. Decidimos tomar um chá acompanhado por breves biscoitos para convivermos com as memórias de tempos gloriosos em que acolheu celebridades que continuam a sorrir nas paredes.

Aqui, seguindo as fotografias e os cartazes da época, foi possível imaginarmos o comboio luxuoso que transportava gente habituada às finas porcelanas, aos copos de cristal, às toalhas de linho, às ementas elaboradas. Não é de estranhar que este ambiente requintado tenha servido de cenário para enredos de obras de escritores como Graham Green, Ian Fleming e Agatha Cristie. Sem dúvida que o romance desta autora “Crime no Expresso Oriente”, adaptado ao cinema em 1977 por Sidney Lumet, em muito contribuiu para a imagem mítica do célebre comboio. Não resistimos a inserir uma ligação para o trailer do filme e rever Albert Finney, Laureen Bacall, Ingrid Bergman, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave e, entre outros, o comboio. AQUI.

Ficará para a próxima viagem a Istambul reencontrar a estação à noite, envolta em nevoeiro, e imaginar a chegada do Expresso do Oriente.

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Os dervixes em Portugal

7 de Abril, 2010

O facto de Istambul ser este ano uma das capitais europeias da cultura motivou um novo interesse sobre a cidade e sobre a Turquia. O “Festival Pontes para Istambul” no Centro Cultural de Belém e as iniciativas desenvolvidas pela Associação de Amizade Luso-Turca trouxeram a Portugal a literatura, a música, a dança, o cinema, a pintura, a fotografia e outras manifestações culturais turcas.

O carácter enigmático da dança dos dervixes justificará a grande afluência de público nos doze espectáculos realizados nas cidades do Porto, Évora, Braga, Portimão, Coimbra, Aveiro e Lisboa. Foram muito diversos os espaços onde se realizaram os espectáculos de dança e música sufi: igrejas, teatros, museus, auditórios de universidades e associações culturais, câmaras municipais…

No Porto, o Museu Soares dos Reis abriu o seu espaço ao espectáculo Sema. Para quem conhece o museu foi uma experiência nova percorrer de noite os espaços habitados por Aurélia de Sousa, Henrique Pousão, Soares dos Reis e Teixeira Lopes até chegar ao auditório. Durante duas horas a música e os dervixes rodopiantes trouxeram uma parte da Turquia a uma sala que foi pequena para tanto público.

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Dervixes

22 de Março, 2010

Os espectáculos dervixe, associados directa ou indirectamente às actividades dos “Dias da Cultura Turca”e ao “Festival Pontes para Istambul”, tornaram presente a experiência que vivemos na cidade. É um facto que os dervixes fazem parte do imaginário associado à Turquia: fotografias, filmes e descrições várias criam expectativas e também perguntas a que não é fácil dar resposta. As vestes, o rodopio dos intervenientes, o cerimonial e, sobretudo, o sentido de tudo isto, tornam inevitável o desejo de ver os dervixes a agir num dos espaços de Istambul.

Alinhámos na proposta que então nos foi feita para assistir a uma actuação no Centro Cultural Hodjapasha que fica no sopé da colina de Sultanhamet, próximo da estação Sirkeci. O edifício era, até 1988, um banho turco chamado Hoca Paşa muito frequentado pelos istambulenses. A grande cúpula da sala principal, que aloja 550 espectadores, impressiona logo que se entra e o nosso olhar foi-se perdendo nas paredes de pedra talhada enquanto esperávamos.

Entrou primeiro a orquestra que tradicionalmente acompanha a sema, nome que designa a dança rodopiante dos dervixes. Seguiram-se os dez intervenientes que, em gestos lentos e silenciosos, se prepararam para a dança. Ao iniciar-se a dança-ritual acompanhada pela música densa e cadenciada, percebemos que o rodopio cada vez mais rápido tem um efeito hipnótico que de algum modo nos contagia. O círculo onde os dançarinos se movem, os movimentos rodopiantes sobre um pé, a forma redonda dos chapéus usados e os movimentos das saias simbolizam a perfeição, a busca do diálogo com a divindade, o desejo de paz e plenitude. Durante o ritual a mão direita dirige-se para o alto em busca da bênção divina e a mão esquerda em direcção ao solo simbolizando a dádiva.

Não sabemos se o Centro Cultural Hodjapasha é o melhor espaço para vivermos a experiência associada ao movimento Sufi. Contudo, quando na última noite regressávamos de um espectáculo de jazz, fomos surpreendidos por um som e uma imagem: num pátio de um restaurante sem clientes, um dervixe rodopiava sozinho ao som da música tocada por três executantes. Ficamos quietos, ao longe encostados ao corrimão de uma escada. Roubámos uma só fotografia daquele momento solitário e percebemos que num próximo regresso a Istambul iremos procurar outros sítios onde os rodopios dervixes aconteçam.

Alguns excertos de dança dervixe podem ser vistos AQUI 1 AQUIAQUI3

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O Olho de Istambul

8 de Março, 2010

Não é por acaso que Ara Guler (1925) é considerado o Fotógrafo de Istambul ou o Olho de Istambul: quem projectar uma visita a Istambul deve ver o trabalho de Ara Guler aproveitando, por exemplo, a exposição Istambul Perdida (Lost Istambul) 1950-1960 que está no CCB no âmbito do festival “Pontes para Istambul”.

A cidade está diferente, porque se passaram muitos anos mas reconhecem-se espaços, situações, sítios, pessoas e, sobretudo, o sentimento de nostalgia, de melancolia, o “huzun” (palavra de difícil tradução) que Pamuk no seu livro “Istambul – Memórias de uma cidade” comenta e ilustra

Pamuk, precisamente nessa obra, reproduz 54 fotografias de Ara Guler e confessa que foram muitas dessas fotografias que desencadearam memórias adormecidas da sua infância e adolescência em Istambul.

E  por vezes (… ) ao observar a magnifica fotografia que me evocava uma recordação muito antiga e recorrente, eu apressava-me, como num sonho, por reter cada reminiscência ou por anotá-la. Os inesgotáveis e incríveis arquivos de Ara Guler, que suscitam em mim o prazer visual e a embriaguez das recordações, constituem a melhor memória da vida e das paisagens de Istambul desde 1950”.

O vídeo Black and White combina uma boa sequência das fotografias de Ara Guler com a música dos Nightwish.

A ver, mesmo AQUI

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